Conselho de Alan Wallace para quem acha que não tem tempo para praticar

Conselho de Alan Wallace para quem acha que não tem tempo para praticar

Um trecho da apresentação da Jeanne Pilli, no livro Budismo com atitude, que acaba de ter a segunda tiragem impressa):

No início do retiro de 2017, em Santa Bárbara, em que ele ensinou um dos textos mais profundos de Düdjom Lingpa – Buddhahood without Meditation, o Lama Alan Wallace começou falando sobre o Treinamento da Mente em Sete Pontos, talvez para nos proteger de nós mesmos. Quando recebemos ensinamentos tão elevados que, naturalmente, só podem ser plenamente realizados em retiros solitários, podemos achar que não são para nós, que afinal temos que pagar nossas contas e cuidar de nossa família. E então? O que podemos fazer? Veja só este trecho:

É possível que, para alguns de nós, em algum momento, possamos reunir condições internas e externas favoráveis para nos tornarmos iogues e nos dedicarmos exclusivamente a essas práticas com a aspiração de atingir o despertar nesta mesma vida. Mas, para a maioria, essa não é uma opção neste momento. Muitos têm compromissos que são legítimos e nem um pouco triviais – cuidar de pais, filhos, companheiros e assim por diante. Pode ser que, conforme a vida se transforma, tudo se simplifique à nossa volta e, por fim, tenhamos tempo livre para nos dedicar exclusivamente à prática. Mas, enquanto isso não acontece, o que é possível, neste momento, para qualquer um de nós, é ter um plano, tomar uma resolução de saturar nossa vida com o Darma, como o óleo que, quando derramado sobre o papel, envolve cada fibra desse papel ou, para usar uma clássica metáfora do budismo, como o óleo de gergelim satura toda a semente do gergelim. E, assim, se morrermos amanhã, daqui a uma semana ou daqui a dez anos, morreremos sem arrependimento. Esse seria um bom plano. Nesse caso, a frase “não tenho tempo para praticar” não faria o menor sentido. Seria o mesmo que dizer “tenho muita coisa para fazer; não tenho tempo para respirar agora.” O Darma não deve ser tomado nas mãos e colocado de lado como se fosse um objeto qualquer. Por isso quero plantar aqui essa semente do Treinamento da Mente em Sete Pontos. Se vocês entenderem o que significa realmente a prática do Darma, vocês nunca dirão “estou muito ocupado para praticar”. Contanto que esteja respirando, haverá sempre uma prática a ser feita. Sempre!

Talvez, de vez em quando, em momentos em que as mandalas interna e externa se alinharem – como quando as nuvens se abrem no céu e o sol brilha sem nenhum impedimento – vocês possam simplificar radicalmente a vida durante um final de semana, um mês, seis meses, dez ou quinze anos, e se dedicar à travessia da própria mente e, de fato, entrar no caminho irreversível até a iluminação... Se a motivação de cultivar a bodicita e o comprometimento com o Darma estiverem presentes, a mandala interna transformar-se-á e as condições externas virão a seu encontro.

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1 comentário

  • Ainda estou lendo bem devagar, mas tenho citado vários trechos no meu grupo de Budismo Tibetano Vajrayana. Este é talvez uma dos melhores livros que li nos últimos tempos. Obrigada.

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