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O budismo é teísta? O que é o carma?

Postado por Vítor Barreto em


Trecho do lançamento da Lúcida Letra, Reflexos em um lago na montanha. Ao final de cada capítulo, há perguntas e respostas.

 

P: A senhora disse que o budismo é não teísta. Como conciliar isso com a atitude em relação ao Buda?

TP: O Buda não era um deus. Era um príncipe indiano que atingiu a iluminação perfeita por meio de seu esforço. Rompeu todas as fronteiras da ignorância e desconhecimento; a mente dele expandiu-se em todas as direções, e ele enxergou com clareza. Ele despertou. A realidade é que estamos todos dormindo em um mar de ignorância e também precisamos despertar. Quando reverenciamos o Buda, é pela enorme gratidão por seu exemplo e pelo fato de ter passado 45 anos vagando pelo norte da Índia e ensinando muitos diferentes tipos de pessoas e mostrando muitos diferentes caminhos de chegar à descoberta que ele fez. Ele não é um deus. Ele nunca criou nada. Ele não está manipulando nossas vidas. Não está nos julgando. Ele é um exemplo de nosso potencial humano.

P: Se todas as religiões possuem códigos de ética semelhantes, por que o budismo é tão especial?

TP: Todas as religiões dizem para não fazermos mal aos outros e sermos bons. Dizem para amarmos os outros. Todas dizem para tratarmos os outros como gostaríamos que eles nos tratassem. Uma das coisas muito especiais do budismo é que não nos diz apenas para amarmos nosso próximo como a nós mesmos, diz como fazer isso. Ele nos oferece técnicas para desenvolver a bondade amorosa e a compaixão.

P: O budismo também não ensina sobre o carma?

TP: Sim. Vejam, a base da ética budista é que tudo o que fazemos com nosso corpo, fala e mente tem resultados. Mente não significa apenas o intelecto, também inclui o coração, porque o alicerce da mente vem do chakra do coração, não do intelecto. O intelecto é o cérebro do computador, não a energia que o dirige. Estamos plantando sementes constantemente. Quaisquer ações motivadas pela ignorância (no sentido de confusão e delusão), pela ganância ou fixação, raiva ou aversão terão resultados negativos. Não importa quantas justificativas nos demos. Nossas justificativas não são a questão. A questão é a motivação subjacente. Ações motivadas por entendimento claro, amor ou generosidade terão resultados positivos.

Estamos escrevendo nosso próprio roteiro o tempo todo. Os resultados de todas as nossas ações virão a ocorrer, seja imediatamente ou mais adiante, nesta vida ou em vidas futuras. Portanto, o que está acontecendo conosco agora é na maior parte resultado de coisas que fizemos no passado, seja nesta vida ou em vidas passadas. É como reagimos ao que está acontecendo agora que cria o futuro. Temos total responsabilidade por tudo em nossa vida. Não podemos culpar mais ninguém. Somos responsáveis pelo que está acontecendo neste momento e pelo modo como lidamos com isso. As coisas acontecem e reagimos. Se reagimos de maneira hábil e aprendemos com elas ou não, depende de nós. A ética budista consiste em se assumir a responsabilidade. Precisamos perceber que estamos moldando nosso futuro a cada momento. Não existe alguém do lado de fora puxando as cordinhas. Não existe ninguém para nos julgar. Em um certo nível, julgamos a nós mesmos a cada momento, no sentido de que o que quer que façamos produz resultados. Se plantarmos boas sementes, teremos uma boa colheita. Se plantarmos sementes venenosas, nossa colheita também será venenosa.

 

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